Porque você não deveria gostar MMOs (principalmente os RPGs)

Eu nunca gostei de MMOs. RPGs ou não. Sempre que tentei joga-los, percebi que haviam coisas nos jogos que me incomodavam. Começou com Mu. Tentei outros e nada feito. Desisti. Depois minha experiência com MMOs foram apenas vendo amigos jogarem, dia e noite.

Aliás, taí o primeiro motivo pra você não gostar deles.

 

Este tipo de jogo foi feito simplesmente para acabar com sua vida.

 

Exatamente. MMOs existem única e exclusivamente com o que há de mais baixo e rasteiro para te fazer viciar em um jogo que, na verdade, é bem chato. É simplesmente uma forma anti-ética de jogue-pela-recompensa. Jogos, na minha humilde concepção, são feitos para serem divertidos. Eu jogo pelo lazer, porque a vida real me estressa. Por que me estressar com a vida virtual? Os computadores, os video-games e os jogos devem estar a meu serviço e não o contrário.

A realização é a parte importante de um jogo. Existem estudos e métodos que dizem quanta tensão um jogo pode ter para fazer você se sentir realizado no final. Mas um jogo que se baseia única e exclusivamente na realização, focando exclusivamente na sua dolorosa e lenta busca, não é um jogo que eu chamaria de divertido.

Todo design do jogo foca unicamente em te viciar. Para isso, abre-se mão de todo resto, como gráficos, jogabilidade, física e enredo.

 

Gráficos ruins

 

Sim, gráficos ruins. Eu não sou o tipo de gente que me interessa só por jogos com gráficos bons. Mas os gráficos dos MMOs são propositalmente ultrapassados. Propositalmente porque a intenção é fazer esses jogos rodarem em qualquer computador. Existem jogos com gráficos limitados mas que são ótimos. Um ótimo exemplo é o indie Braid.

A diferença é que Braid foi cuidadosamente pensado para ser 2D. Esse gráfico não é assim para o jogo rodar na maior quantidade possível de computadores. Inclusive ele nem roda, porque parece ser mal implementado (falo mermo!!!). Esse gráfico é assim porque a experiência do jogo fica mais interessante se ele for assim. Braid em 3D provavelmente seria pior que esse.

Gráficos bons não são gráficos tecnologicamente avançados, que extraem tudo da sua placa de vídeo. Veja, por exemplo, Limbo, que tem gráficos 2D e uma atmosfera de "filmes noir" (eu não saberia nomear então copiei da wikipedia!) muito legal!

 

Não há física alguma

 

Aconteça o que acontecer, não haverá relação física alguma entre o que acontece no jogo. Não importa se o maior monstro do planeta vai te dar uma machadada ou se é uma fada cuspindo em você. Você - salvo raras exceções - ficará imóvel. O maior feedback que você terá do golpe que levou é um "haam" do seu personagem e talvez alguma pisacada na tela. Isso se ele falar.

Você frequentemente passará paredes, passará no meio de inimigos, verá inimigos com partes dentro do cenário etc. 

Tudo isso para permitir que o jogo rode na internet. Afinal, colocar tantas pessoas assim jogando juntas gera algumas limitações.

 

LAG

 

Sim, LAG. Você constantemente vai andar para frente e depois voltar para trás 20 metros porque o servidor não aguenta tantas conexões.

Em alguns jogos, você inclusive vai dar espadadas, machadadas, facadas etc. a 5 metros de distância do seu oponente e mata-lo. 

Também será comum você lutar com algum oponente e depois de uma grande batalha, descobrir que você morreu 20 segundos antes por uma magia que ele soltou. E se isso não é frustrante para você, eu não sei o que mais deve ser.

E o último motivo:

 

É chato pra caralho

 

MMOs são iguais do começo ao fim. Bater e correr e bater e correr e bater e correr e bater e morrer e nascer de novo e bater e correr. Sempre. SEMPRE. É um jogo monótono. Você só faz a mesma coisa. Tem que matar milhões de inimigos na fase para, depois de 4 meses, subir um level e ganhar um ponto de DX. E depois você vai ter que matar bilhões para subir o próximo level, que é mais difícil ainda.

Se você duvida, assista e morra de tédio: http://www.youtube.com/watch?v=6MfGhtxbcZY


Conclusão

 

Não seja escravo do seu computador e dos jogos que você joga. Você deve usa-los para você se divertir. E se sentir realizado porque ficou 6 meses sofrendo matando monstros todos iguais em um jogo monótono não é o que eu chamaria de diversão.

Mas cada um é cada um, né? Então, paciência.

August 25, 2011 at 9:04pm | 0 Comments

Padrões

Talvez não seja exagero dizer que grande parte da inteligência consista em identificar padrões e generaliza-los de forma útil a partir das amostras que você tem a disposição. Considere aqui que inteligência signifique agir de forma “útil”.

Sério, o que te separa mais de agir de forma inteligente ou de forma estúpida do que isso?

Por exemplo, você vê uma mulher loira que não sabe escrever. Você conclui que loiras são burras: você está sendo estúpido (talvez até eu esteja sendo estúpido por achar que quem pensa assim seja estúpido, mas eu aceito correr o risco).

Uma abelha africana te pica e você começa a considerar que todas as abelhas africanas são capazes de picar você: você está agindo, de certa forma, inteligentemente.

A verdade é que a natureza é repetitiva, mas suas repetições não são idênticas. As situações muitas vezes serão apenas semelhantes. Descobrir corretamente seus padrões ajuda a lidar com os aspectos iguais da nova situação. Generalizar corretamente esses padrões ajudam a lidar com os aspectos novos da nova situação.

Na minha humilde opinião leiga, isso acontece porque nossa forma de sentir o mundo é extremamente limitada pelos nossos sentidos. Nós não temos o conhecimento absoluto das coisas. Não sabemos naturalmente quais são as abelhas que picam e o que as levam a picar. Não existe um modelo pré-estabelecido em nosso cérebro que diga isso.

A única forma de descobrir isso é pelos nossos limitados sentidos e pela nossa máquina de inferir e detectar padrões (cérebro, pros leigo). Se hoje nós sabemos que a cor do cabelo não tem relação e tão pouco casualidade com a inteligência e que nem todas as abelhas picam e, as que picam, o fazem para proteger suas colméias, é porque nós estudamos e descobrimos esses padrões.

Eu não tenho base científica nenhuma para afirmar isso, mas não acredito que a inteligência seja um dom. Acredito que qualquer pessoa possae melhorar em qualquer tarefa desde que saiba detectar corretamente padrões e generaliza-los. E isso, para mim, pode ser feito com treino.

March 25, 2011 at 11:24am | 0 Comments
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Opiniões

"Agora bem, qual é a diferença entre um dragão invisível, imaterial e flutuante que cospe um fogo que não queima e um dragão inexistente? Se não haver maneira de refutar minha opinião, se não haver nenhum experimento concebível válido contra ela, o que significa dizer que meu dragão existe? Sua incapacidade de invalidar minha hipótese não equivale absolutamente ademonstrar que é certa. As afirmações que não podem provar-se, as asseverações imunes à refutação são verdadeiramente inúteis, por muito valor que possam ter para inspiramos ou excitar nosso sentido de maravilha.[...]". Trecho de "O mundo Assombrado pelos Demônios", de Carl Sagan.

 

Se tem algo sem sentido é tentar igualar todas as opiniões num mesmo "nível". Você diz, por exemplo, que o método científico é mais confiável que maluco que bebe gasolina para se basear numa discussão sobre a existência de anjos verdes mono-asas com poderes de telecinese e alguém diz: 

- Ah! Mas as pessoas tem o direito de acreditar. E se um dia esse louco está certo e a ciência passa a concordar com ele? Então você julga ter a verdade absoluta? Então a sua racionalidade é superior a dele? A ciência não provou porque não pode provar que anjos verdes existem, certo? Então sua fé na ciência é igual a qualquer outra fé!

Um não-argumento que não diz nada de relevante. E isso é sempre dito no intuito de fazer parecer que as duas opniões aplicam igualmente a razão e partem de principios igualmente relevantes. Ou que a racionalidade e a razão são relativas; que a lógica é uma ferramenta descartável. As vezes até isso é dito no intuito de fazer você se sentir culpado por achar que está certo.

E desde quando tentar fazer você sentir alguma coisa para mudar de opinião é racional?

É claro que é possível que exista um mendigo com uma teoria mais precisa que a teoria da relatividade. Possível, não provável. Na prática? Acreditar nisso vai te fazer viver no mundo paralelo dos mendigos bêbados. Apesar disso, todo mundo tem o seu mendigo bêbado pessoal.

- E como se mede essa probabilidade?

Nesse caso, em termos precisos? Não sei. Mas na história da civilização esses "mendigos" são profundamente raros. Por outro lado, é visível os resultados que temos com os avanços científicos. Muito mais comuns do que incomuns...

O ponto não é o direito a opinião. O ponto é como ela foi formulada. No fim das contas, se você relativizar a opinião alheia assim, você vai chegar em uma discussão totalmente baseada em nada:

- E se existir um universo paralelo cheia de gatas que a ciência e nem nós ainda nunca descobrimos??????? A sua ciência não é capaz de detecta-lo. E aí?

E aí? E aí que tanto faz. O indetectável - em termos práticos - é indiferente do inexistente, já dizia Carl Sagan.

Qual sentido em discutir partindo do principio que nenhuma opinião tem o direito de ser mais certa que a outra? Partir do principio que o universo esconde uma realidade totalmente destoante do que os nossos sentidos e métodos puderam observar até agora? Se você costuma partir sempre para esse tipo de afirmação, talvez você esteja errado e não perceba isso.

 

February 9, 2011 at 12:21am | 0 Comments

[Des]Respeito

Acho engraçado. Praticamente todas as pessoas que conheço tem sua própria definição de "respeito". Normalmente, essa definição protege suas crenças e seu "direito" (que nem sempre é um direito) de se expressar, mas ataca as crenças alheias e o direito dessas pessoas de se expressarem. 

Esse efeito é mais comum nos debates religiosos. O que acho "engraçado" nesse debate é a sensibilidade das pessoas em terem suas crenças questionadas. Aliás, nem é isso. O que é "engraçado" é a sensibilidade das pessoas em terem o objeto no qual acreditam questionados. Se você tem uma TV da CCE e alguém diz que essa marca é ruim, você não se irrita. Mas por que isso acontece com você quando a visão de deus de outra pessoa é diferente? Afinal de contas, não é com você, é com deus.

Particularmente, acredito que isso é decorrente da falta de discussões religiosas. "Política, religião e futebol não se discute":Uma besteira sem tamanho. As pessoas não estão acostumadas a discutir e ficam todas sensíveis quando uma "verdade irrefutável" é posta a prova. O debate tem que acontecer, juntamente com respeito entre as pessoas.

É curioso, um religioso tem todo direito, por meio da sua liberdade religiosa, de dizer que deus existe na rua e te condenar ao inferno por discordar. É um direito justo, plausível, correto. Pessoas morreram por esse direito, que é bastante válido.

Mas um ateu tem o mesmo direito? Se um ateu diz que deus não existe, muitos religiosos vão dizer que é desrespeito do ateu. "Afinal, se o ateu não acredita e o religioso sim, por que ele vai dizer que não existe?" pensam. Alguns acreditam que é claramente um "ataque a sua religiosidade e o seu direito de ter uma religião". Uma [i]lógica profundamente medonha. Se você tem o direito de dizer que deus é amor, qualquer outra pessoa tem o direito de dizer que deus é ódio. Por que não teria? A liberdade religiosa só deve existir desde que ela esteja de acordo com você?

Ideias não existem para serem respeitadas. Ou você respeita o nazismo? Pessoas é que devem ser respeitadas. E as pessoas muitas vezes associam esse tipo de "desrespeito" com discriminação. Não é discriminação ou falta de respeito você dizer que deus não existe ou que a bíblia contém partes violentas. Discriminação é outra coisa. Discriminação é negar direitos alheios baseados em porra nenhuma. Por exemplo, eu não te contratar porque você tem uma religião diferente da minha ou deixar de te atender num supermercado porque você é de outra cor.

Se não há discriminação ou o incentivo dela, qual o problema, afinal? 

July 12, 2010 at 3:32pm | 1 Comment
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Modelo bacanudo de currículo em Latex

Bom, o título é quase auto-explicativo: andei precisando refazer meu currículo para procurar um emprego e achei um modelo bem bacana, aqui. Dei uma fuçada nele e o adaptei para minhas necessidades (suporte a acentos, tradução etc). Então eu resolvi compartilhar o que havia feito.

O modelo em .tex está aqui. O resultado da compilação desse modelo pode ser encontrado neste link.

July 5, 2010 at 8:03pm | 1 Comment

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